27.4.26

“Tomé” Decai o Corão

Ainda há muito a saber sobre a verdadeira história islâmica, do motivo de criarem uma religião aos árabes depois de tantas tentativas para destruírem o cristianismo europeu e impedir a evangelização do mundo inteiro, especialmente ao continuarem profanando Nosso Senhor em livros como o Corão.
Um grupo de fiéis no local de um Templo, com a Mesquita de Omar ao Fundo, em Jerusalém, Israel. David Roberts.
1. Diante dos artigos Consenso Corânico-Bíblico e Discípulos Negam a Cristo pelo Islã, percebemos a gravidade do ocidente, fundado sobre alicerces cristãos, quer gostem, quer odeiem, terminar consumido através do avanço islâmico, que não tem compatibilidade com qualquer outra religião.

2. Nenhuma religião no ocidente, mesmo aquelas neopagãs, poderá sobreviver ao avanço islâmico, sobretudo pelos fundamentos de tolerância estarem baseados no cristianismo, através do exemplo de Jesus Cristo, daquele que com publicanos e pecadores sentava à mesa e assim acabava sendo repudiado pelos fariseus (Mc 2, 15; Mt 9, 10).

3. Porém, depois da queda do Segundo Templo de Jerusalém (70 d.C.), conforme se encontra com abundância na Patrística, diversas investidas, sem que conseguissem impedir ou destruir o cristianismo, procuraram corromper a transmissão do Evangelho, desvirtuando contextos, personagens e a própria mensagem de salvação.

4. Para que isto pudesse ser realizado, contendo características verossimilhantes o suficiente para convencer tantos outros sobre uma causa, sobretudo beligerante, elementos de conexão precisavam ser trabalhados para subverter a verdade enquanto se implementava conteúdos aproximados, como certos textos apócrifos.

5. Apócrifos são aqueles textos que não foram incluídos no cânon pela Igreja, como definido nos concílios de Hipona (393 d.C.) e Cartago (397 d.C.), como é o texto “Evangelho de Tomé sobre a Infância de Jesus”, que por sua vez foi cooptado, ao menos um trecho do segundo capítulo, na produção corânica.

6. Um único livro passou a sinalar o Corão ao universo islâmico somente em 653 d.C. Ou seja, um Novo Testamento já existia, ainda que sob forma de rolos, embora os volumes com lombadas costuradas estivessem sendo produzidos (chamados códices), porém, nada dele recebeu o apreço de Maomé (570-632).

7. Maomé, por sua vez, optou por usar dos apócrifos na produção do Corão ao invés do Novo Testamento, que não lhe era desconhecido, dado a fatos biográficos. Ao contrário, foi por conhecer que somente abordou na produção corânica aquilo que servia à causa da islamização do Oriente Médio, impedindo a penetrância do Evangelho naquela região.

8. Como é visto em Consenso Corânico-Bíblico, Jesus Cristo é apresentado aos muçulmanos como quem jamais tivesse morrido na cruz, ou seja, blasfemando contra a Igreja e o Evangelho. Lendo o artigo citado é possível entender a dimensão desse problema e compreender a utilização dos apócrifos na produção corânica.

9. Segundo a tradução de Frederico Lourenço, respeitado também pelos trabalhos já realizados sobre os livros de Homero (928-898 a.C.), quais sejam, Odisseia e Ilíada, observa-se no segundo capítulo do “Evangelhos Apócrifos” uma narrativa que repercute aquilo que Maomé procurava aproveitar, como se lê nesta transcrição abaixo:
    1. Este menino Jesus, tendo atingido a idade de cinco anos, brincava no vau de um riacho; e reuniu as águas correntes em lagoas e as fez logo puras; e realizou estas coisas apenas com a palavra.

    2. E, fazendo barro maleável, plasmou a partir dele doze pardais. E era dia de sábado, quando os fez. E havia muitas outras crianças, que brincavam com ele.

    3. Tendo um judeu visto as coisas que Jesus fazia, brincando no sábado, foi imediatamente e anunciou [o sucedido] ao pai dele, José. “Eis que o teu filho está junto do riacho; e, tomando barro, plasmou doze pardais; e profanou o sábado.”

    4. E José, indo para o local e vendo [o que se passava], gritou-lhe, dizendo: “Por que fazes estas coisas em dia de sábado, coisas que não é permitido fazer?”. Jesus, batendo as mãos, gritou aos pardais e disse-lhes: “Ide!”. E, voando, os pardais partiram, chilreando.

    5. Vendo [isto], os Judeus admiraram-se; e, afastando-se, contaram aos chefes deles o que viram Jesus fazer.
10. Maomé ou parte do próprio séquito não perde tempo em se aproveitar desse conteúdo, encontrado cerca de 150 anos antes de existir o Corão, que por sua vez, como será visto, repercute esse apócrifo para legitimar o Islã e subverter o Evangelho, conforme a transcrição disposta na sequência:
    4:109. Lembra-lhes, Muhammad, de que, um dia, Allah ajuntará os Mensageiros, então dirá: “O que nos foi respondido?” Dirão: “Não temos ciência disso. Por certo, Tu, Tu és O Profundo Sabedor das coisas invisíveis.”

    4:110. Quando Allah dirá: “Ó Jesus, filho de Maria! Lembra-te com tua mãe, quando te amparei com o Espírito Sagrado: falaste aos homens, quando ainda no berço, e na maturidade. E quando te ensinei a Escritura e a Sabedoria e a Tora e o Evangelho. E quando criaste, do barro, a figura igual ao pássaro, com Minha permissão, e nela sopraste, e ela se tornou um pássaro, com Minha permissão. E curaste o cego de nascença e o leproso, com Minha permissão. E quando fizeste sair os mortos dos sepulcros, com Minha permissão. E quando detive os filhos de Israel, afastando-os de ti, quando lhes chegaste com as evidências; então, disseram que que, dentre eles, renegaram a Fé: ‘Isto não é senão evidente magia’.”

    4:111. “E quando inspirei aos discípulos: ‘Crede em Mim e em Meu Mensageiro’; disseram: ‘Cremos, e testemunha que somos moslimes’.”
11. Observa-se, portanto, referências próximas aos testemunhos originais, porém, vagamente explorados, gerando a confusão que tanto Santo Afonso Maria de Ligório repudiou em “História das Heresias e suas Refutações”, conforme disposta em Discípulos Negam a Cristo pelo Islã?

12. Veja que essa passagem acerca de um pássaro se equivoca, embora consiga, ainda assim, causar uma falsa ideia de que se vê ali um relato válido. Noutros termos, Maomé ou parte do séquito tinha que ter entrado em contato com aqueles que detinham o acesso ao apócrifo, que, para este caso, eram supostamente os monges sabaítas.

13. Faz até sentido, porém, carece-nos estudos mais precisos, embora a história seja coerente. Em 645, oito anos antes do Corão finalmente ser concluído, monges palestinos do Mosteiro de São Saba ou Savas fugiram para Itália no início da expansão do Califado Ortodoxo (632-661), posteriormente a realizada por Maomé.

14. Ou seja, enquanto Maomé tinha conquistado as regiões que agora são Arábia Saudita, Iémen e Omã, foi o Califado Ortodoxo o responsável pela expansão islâmica que vai desde a Síria à Líbia, passando pelo Egito e Chipre, como ao Iraque, Irã e partes do Turcomenistão, Afeganistão e Paquistão.

15. Desta forma, concluímos que não existia um Corão certo, definitivo, segundo a própria história, até o ano 653 d.C. Talvez este trecho sobre Jesus ter criado um pássaro a partir do barro se converta em denúncia concreta da invenção corânica, pois esta expansão posterior a Maomé ou já conhecia o “Hagios Saba 259”, ou conheceu na invasão.
Hagios Saba 259. Evangelho da Infância de Tomé.
16. Os monges palestinos fugiram sete anos após essa invasão pelo Califado Ortodoxo, liderado pelo califa Omar ibne Alcatabe (586-644), que não parece ter gerado grandes restrições aos cristãos, até sua morte, posto que foi sucedido por Otomão ibne Afane (576-656), que por sua vez fixou o texto do Corão.

17. Como se sabe, todo Corão fora “costurado” sem seguir uma ordem cronológica, sobretudo pela flagrante adição de um apócrifo que estaria sob posse dos sabaítas, presentes muito proximamente a Jerusalém, durante o califado de Omar, porém, evadidos para Itália assim que Otomão foi eleito califa em 644 d.C.

18. Otomão assumiu o califado em dezembro daquele ano, que coincide dos monges palestinos, sabaítas, terem chegado na Itália em 645 d.C. Deste episódio até ser fixado o Corão, levou quase uma década, dando tempo suficiente para apreciação do “Hagios Saba 259”, assim como de outros textos, canônicos ou apócrifos.

19. Finalmente, o fato é que o Corão trama com uma informação tão específica, que não foi difícil traçar sua origem e mostrar que sua validade é criativa ao invés de revelada, motivo pelo qual Padre Júlio Maria de Lombaerde (1878-1944) enfatiza seu caráter falsário em “São Gabriel, Maomé e o Islamismo”.
    Para referenciar esta postagem:
ROCHA, Pedro. “Tomé” Decai o Corão. Enquirídio. Maceió, 27 fev. 2026. Disponível em https://www.enquiridio.org/2026/04/tome-decai-o-corao.html.

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